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OBESIDADE NA ADOLESCÊNCIA
Dr. Alberto R. Serfaty - 20/03/2007

Adolescência é um período de riscos, oportunidades e investimentos!

Dentre os riscos maiores está a obesidade que àcomete, segundo algumas estatísticas, até 50 % dos adolescentes, os quais terão até 80% de possibilidade de se tornarem adultos obesos, que por sua vez costumam ter um sobrepeso maior do que aqueles que adquiriram a obesidade na fase adulta, a qual é a principal doença endêmica da 2ª metade do séc. XX, porque pode evoluir para doenças degenerativas como diabetes, hipertensão arterial, arteriosclerose (infarto do miocárdio ou derrame cerebral), principais causa - mortis dos países industrializados.

Trata-se de uma doença crônica, multi-fatorial, com importantes evidências genéticas, que evolui em surtos e remissões. Se tratada pode- se estar magro, mas se é gordo.

Dos grupos que merecem o maior cuidado médico destacam-se os adolescentes. É nessa fase que o indivíduo determina o nº de células gordas do seu corpo. Se forem muitas, ele quando adulto poderá ficar magro, mas sempre será gordo.

A adolescência é a fase das grandes mudanças que culminam com a definição da personalidade do adulto. Essas transformações são realmente radicais: Ora se come muito, ora não se come nada, ora se está muito gordo, ora se fica rapidamente magro, ora flácido e sedentário vendo televisão, ora atlético e marombeiro, lotando as academias de ginástica. Todas essas mutações se dão em uma velocidade extraordinária, porque seu metabolismo celular está em definição, num crescimento e desenvolvimento contínuo.

Os jovens são verdadeiras bombas-relógio. Acumulam toneladas de energia. Essa energia precisa ser bem elaborada, liberada através dos seus corpos. Fazendo atividades físicas regulares, namorando, passeando, se divertindo, caso contrário, ela fica contida, represada, compensada pela boca, os levando a ficar em casa abatidos, deprimidos, sem fazer nada, comendo pipoca e vendo a sessão da tarde, elegendo a cozinha como principal cômodo da casa e a geladeira seu eletrodoméstico número 1.

É preciso explorar toda essa disposição e energia os estimulando a administrá-la positivamente através de exercícios físicos regulares e de uma alimentação equilibrada, saudável, que seja nutritiva e capaz de suprir toda essa demanda necessária ao seu pleno desenvolvimento. Mas que fundamentalmente seja agradável, saborosa, sem o que dificilmente será observada.

Nada de repressão e cobrança. Ninguém mais do que ele tem interesse de não ser gordo. “Não existem filhos problema, existem pais problema”, dizia Piaget. Não é o adolescente que faz as compras da casa, que leva doces, refrigerantes, balas, bolos, etc. Ao invés do “não come isso!”, “não faz aquilo!”, de 1000 palavras, que não compensam uma ação deve se dar carinho, compreensão, exemplo e muito estímulo. Dessa forma se consegue que sejam os homens do amanhã que eles querem ser e não os filhos que os pais querem que eles sejam. E ninguém mais do que eles querem ser os melhores, os mais saudáveis, os mais dispostos, os mais ativos, os mais bonitos, os mais magros.

Se muitas vezes não conseguem é porque não podem! Seus organismo não deixam. Não é magro quem quer, mas quem pode! Quem tem competência metabólica para isso. Certos jovens comem 10 vezes menos que outros e engordam 10 vezes mais, porque são predispostos geneticamente para serem obesos. Esses necessitam de ajuda, aconselhamento e acompanhamento médico constante, onde certamente conseguirão uma solução, que muitas vezes parece complexa e distante, mas em mãos de um profissional competente chegam ao caminho certo de uma maneira rápida, satisfatória, preservando e ganhando mais saúde.

É necessário quebrar o maior e mais poderoso preconceito que existe: Contra o gordo. A sociedade e nela o próprio mercado de trabalho, o estigmatiza, o hostiliza, o marginaliza, criando padrões estéticos rígidos do “quanto mais magro melhor” adotando jargões tipo : O gordo é “relaxado”, “displicente”, “não tem força de vontade”, “é preguiçoso”, “não malha”, “não fecha a boca”, como se ele fosse gordo por opçào, porque tem prazer em ser assim. E o pior é que esse comportamento tem efeito porque o obeso, em especial o jovem, assume essa culpa e se sente mesmo envergonhado não se expondo, não se socializando, não interagindo e até mesmo não procurando um tratamento clínico que possa ajudá-lo.

Reagir a isso, entender a obesidade como uma doença sistêmica metabólica de caráter genético e que tem tratamentos modernos através de dietas que corrigem esse metabolismo, de atividades físicas proveitosas que tirem a sua atenção da comida e que desenvolvam uma massa muscular competente e de um apoio psicológico que consiga mostrá-lo que ele é capaz de reverter toda sua problemática é o caminho para controlar essa patologia grave que se chama OBESIDADE, se investindo e dando oportunidade não só de conquistar mais anos em sua vida, mas principalmente, mais vida em seus anos!!!!

 
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